Páginas

Deu na previsão que vai chover.



Acredita que andei sonhando com você? Assim do nada mesmo. Juro que não pensei em você nas horas anteriores, nem vasculhei fotos e muito menos desejei te ter por perto. Juro. Só sonhei. Quem vai ser o louco de tentar explicar essas coisas? Só sonhei com você e foi inevitável não acordar pensando em nós dois. Pensando se, sei lá, em alguma dessas noites inexplicáveis você já sonhou comigo também; se, por um descuido, seu pensamento voou até mim, antes que você se desse conta da chuva que estava se armando no céu e abrisse de uma vez o guarda-chuva que nos separa. Ia chover saudade. Ia chover vontade. No fundo é tudo a mesma coisa. 
Por aqui choveu ontem, e a TV esqueceu de anunciar pra que eu me preparasse. Andei perguntando às janelas do ônibus onde você estaria. Não tive resposta. Sei lá, se perdeu, armou um guarda-chuva e um colete à prova de paixões? Por onde é que você andou enquanto eu sonhava com você? Em que ruas você se escondia enquanto aqui só chovia saudade? Você tem medo de algo que eu nem sei o que é. Você tem medo do que eu posso vir a querer, e tudo o que eu quero é te fazer feliz. Tá difícil perceber? 
Um dia desses quis parar um táxi e pedir pro taxista me levar pra sua vida. Falar assim mesmo, feito louca, "ei, moço, me leva pra vida dele". Mas aí ele ia fazer a pergunta difícil: onde? Algum endereço, mapa ou ponto de referência? Não, nenhum, moço, deixa pra lá. Soa triste, não acha? Mas até mesmo a tristeza tem seu lado bonito e rende poesia que só, só que nunca, anota aí: nunca tanto quanto o seu abraço. Aliás, me diz: pra inspirar poesia como você, a gente tem que respirar o quê? Eu queria saber do que te move e do que te comove. Do que te provoca o riso, o choro, o olhar; do que você fazia antes de aparecer por aqui e mudar o rumo desse meu olhar mal acostumado. 
Desculpa, desvirtuei do assunto, não era isso o que eu queria dizer. Desculpa, não sei o que acontece comigo, mas às vezes me dá essa urgência de você. Às vezes me vem essa urgência hollywoodiana de aproveitar a chuva e correr praí. Ou te chamar pra cá. Tanto faz. Tipo coisa de filme, sabe? Deixar tudo pra lá e te procurar, como se não houvesse tanta coisa além do querer-estar-junto. Às vezes me vem essa urgência de você. Coisa que dá e passa. Coisa que dá enquanto você não passa por aqui e me arranca de uma vez desse apartamento inundado de saudade. Tá chovendo demais e o coração não aguenta esse aguaceiro, cadê você? Me diz como te alcançar que eu encaro a chuva, corro o mundo e vou te ver. Porque, sei lá, se ainda não desisti e ainda estou aqui, embora tantas vezes já tenha desistido e ido embora pra nunca mais voltar, deve ser porque alguma coisa é verdadeira nisso tudo. Talvez o meu encanto? Ou, quem sabe, aquele sorriso que você disfarça quando me vê? 
Olha, isso tudo é pra te dizer: Se cuida, viu? Deu na previsão que vai chover, não esquece teu guarda-chuva. Se esquecer, passa aqui na rua e aproveita essa desculpa pra me ver.

Nenhum comentário

Postar um comentário

Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger